Parte II – Por quê é tão difícil emagrecer?

Esta é a continuação do post de ontem. 

Assumindo a responsabilidade sobre si mesmo

Imagine que dentro de você – que cronologicamente é um adulto – existe uma Criança e um Adulto.

Para ser saudável, fisica, mental e emocionalmente, sua Criança e seu Adulto devem se entender muito bem! A Criança é a fonte da criatividade, dos desejos e dos sentimentos e o Adulto tem o poder de decisão, ponderação e aprende com a experiência.

Quando a Criança domina a situação é porque o Adulto é permissivo demais. Neste caso surge a dificuldade de autocontrole, autoestima baixa. Um dos perigos nessa situação é que estabelecemos vínculo de dependência com “outro” adulto (pai, mãe, marido, esposa, filho, emprego), gerando imaturidade e ansiedade.

Se o Adulto é opressor e não dá espaço para a Criança temos rigidez e dificuldade de ter prazer, implicando em muitas doenças que isso acarreta, inclusive a depressão. No caso do seu Adulto ser “hiperdesenvolvido”, tome cuidado (!), pois pode estar cuidando de “CRIANÇAS” dos outros, que – aparentemente – já são bem “adultas” e se sentindo sobrecarregado e infeliz, e consequentemente, impedindo que os oustros cresçam.

Podemos oscilar também entre estes dois aspectos. Um exemplo é quando fazemos uma dieta super rígida, o Adulto controla tudo, nem uma caloria a mais! E a Criança fica sufocada, não pode relaxar e brincar, pois o o Adulto exerce pressão exagerada, e por ignorância, não imagina que a Criança precisa de espaço para relaxar (descontração, passeios, hobby…). Quando a Criança se sufoca em demasia, pode por tudo a perder comendo, por exemplo, todo o chocolate que vê na frente! Quem não conhece o famoso: “pé na jaca”, “perdido por 1, perdido por 1.000)? O maior problema aqui é a falta de flexibilidade (TUDO X NADA): “não estou completamente com o controle, então tudo está perdido!”, o que só aumenta a frustração diante do objetivo que (novamente) não foi alcançado.

Nas duas dinâmicas podem ocorrer excesso de peso: Criança mimada X Adulto permissivo e Adulto Opressor X Criança frustrada.

Quando o adulto e a criança conseguem estabelecer uma comunicação verdadeira e com amor, resulta em aconchego, segurança, desenvolvendo a autoconfiança e autonomia.

Reflita: Como é a relação Criança-Adulto dentro de você?  Você sabe o que faz sua Criança feliz? (observe suas fontes de prazer, paz, inspiração). E seu Adulto sabe acolher os sentimentos (ansiedade, mágoa, tristeza, frustração, raiva, medo) da sua Criança? O Adulto sabe como controlar e quando liberar os desejos da sua Criança?

Dica: O nosso “Adulto” interno aprendeu muuuito com todos os adultos importantes da nossa história de vida, é aí que as coisas se complicam um pouco mais! Se a “história” estiver muito difícil de ser digerida, talvez seja a hora de procurar um psicoterapeuta, um terapeuta floral, ou outro profissional que auxilie nessa digestão.

Foto: Glenda Otero/sxc.hu

Por quê é tão difícil emagrecer?

A obesidade ocorre por fatores genéticos, biológicos, ambientais (familiares, sociais) e emocionais. Vou compartilhar com vocês algumas reflexões que coloco na palestra sobre os aspectos emocionais que dificultam o processo de emagrecimento, dividirei em 3 posts.

A 1 a. parte são questões que levam a uma autoreflexão, o objetivo é tirar as máscaras e encarar honestamente o problema. É importante que faça suas anotações!

Emagrecer implica em mudança de hábitos. Se você está acima do peso, algo de errado está fazendo, e mudança(s) devem ser feitas para reverter esta situação. Quero mudar? Há possibilidade de mudança na minha vida?

Algumas questões precisam ser levantadas e respondidas com sinceridade: qual é o seu comprometimento com o objetivo de emagrecer? Comprometimento vem da intenção com o objetivo de realização dos desejos mais profundos.

Reflita sobre a frase acima (preste atenção nas palavras sublinhadas) e complete: Quero emagrecer porquê……”

Quando o CORPO (que possui necessidades), a MENTE (pensamentos, sentimentos, memórias)  e a ALMA (escolhas que tem significado e finalidade trazem paz) estão alinhados o compromisso é estabelecido.

A insegurança é a quebra deste compromisso, que acontece quando estou mais ligado ao mundo externo e do que ao meu mundo “interno”. O que “abala” esta ligação? Sou escravo de alguém/algo? Por quê?

Pare e observe algumas questões que são comuns à ansiedade, insegurança e ao excesso de peso. Quais estão relacionadas com você?

  • necessidade de ter o controle
  • medo de desfazer relacionamentos, de ficar só
  • medo do abandono e/ou da rejeição: por isso não digo “NÃO!” 
  • medo de se libertar de “velhas” coisas
  • desejo que outras pessoas cuidem de mim: sou dependente de quem?
  • medo de mudar a imagem corporal           

Diante destas fontes de ansiedade a comida traz o acolhimento e é colocada “para dentro” como forma de compensação e gratificação,  muitas vezes como forma de sufocar o desconforto interno que não queremos sentir. Este normalmente é um dos ganhos secundários da obesidade: o meu problema (que sufoquei) não vi (e não verei), está enterrado sob uma camada de 20 centímetros de gordura em cima! “O único problema (que me permito ver) é o excesso de peso!”

“A força de vontade é uma consequência direta da compreensão, do conhecimento e da decisão correspondente. Pois todo ser humano tem certa quantidade de força, e cabe-lhe inteiramente a opção da direção em que irá canalizá-la.”

Eva Pierrakos e Donovan Thesenga em “Entrega ao Deus interior” (Ed.Cultrix) 

Foto: Julien Tromeur/sxc.hu