Trenzaré mi tristeza

 


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Doçura de texto…

“Dizia minha vó que quando uma mulher se sentia triste o melhor que podia fazer era trançar o seu cabelo. E que desta maneira a dor ficaria trançada nos cabelos e não poderia chegar ate o resto do corpo. Tinha que ter cuidado para que a tristeza não se meter nos olhos pois o faria chover, tão pouco era bom deixar a tristeza entrar em nossos lábios, pois os obrigaria a dizer coisas que não eram certas… que não entrasse entre suas mãos, me dizia…Porque poderia deixar queimar o café ou deixar crua a massa. E a tristeza gosta de sabores amargos. Quando te sentir triste menina, trance seu cabelo, prenda a dor num pedaço de madeira e deixe-o escapar quando o vento do norte pegar com muita força.

Nosso cabelo é uma rede capaz de prender tudo, é forte como as raízes do ahuehuete (planta tradicional mexicana) e suave como a espuma do atole.

Não se apegue a melancolia menina, ainda tendo o coração partido nos ossos por alguma ausência. Não a deixe se misturar com seus cabelos soltos, porque fluirá na cascata pelos canais que a lua tem traçado entre o teu corpo. Trance tua tristeza, dizia, sempre…trance sua tristeza.

E na manhã ao acordar com o canto do pássaro, ele encontrará a tristeza pálida e desvanecida entre o trançar dos teus cabelos…”

Texto: Paola Klug
Tradução: Lalita e amigos
Imagen: Mujer indígena de Tehuantepec de Alfredo Ramos

fonte: http://paolak.wordpress.com/2014/03/04/trenzare-mi-tristeza/