“Ervas cidreiras: Você sabe a diferença?”, artigo da Revista Bons Fluídos

Veja  este artigo na Revista Bons Fluídos.

Na hora de preparar um chá calmante, qual destas plantas você escolhe: melissa, capim-limão ou lípia? E o sabor especial no suco, na sopa ou no pudim de leite, seria mérito de qual delas? Arriscaria responder a mais indicada para compor o perfume Chanel No 5? Pois, para quem achava que as ervas-cidreiras são todas iguais, aqui vão algumas saborosas novidades.

TEXTO: KÁTIA STRINGUETO

REPORTAGEM FOTOGRÁFICA: CAMILE COMANDINI

FOTOS: ROGÉRIO VOLTAN

As três plantas da foto podem ser chamadas de erva-cidreira. E é só amassar a folha de qualquer uma delas para entender o porquê. De todas exala um odor de limão (portanto a relação com a cidra, um tipo de limão-galego). O nome também se consolidou pelo uso: o conhecimento popular assim tem apresentado essas plantas por anos a fio, de geração em geração. E aí está a raiz da confusão. Nem toda erva que denominamos cidreira é igual. Elas têm propriedades e usos diferentes. Mas não é difícil desfazer a bagunça. Primeiro, a erva cidreira oficial não é capim. Também conhecida como melissa (de Melissa officinalis, o nome científico) ou cidreira-verdadeira, entre outros nomes, ela tem folhas ovais, rugosas e com bordas serrilhadas. Suas flores variam do branco ao amarelo e rosa. O capim-limão (ou capim-santo, capim-cheiroso, capim-cidreira ou cidró) é reconhecido por suas folhas finas, compridas e cortantes, que crescem, formando moitas. Cientificamente, foi batizado de Cymbopogon citratus. A terceira planta do grupo a merecer crédito é a lípia, ou Lippia alba. É a cara da erva-cidreira. Não é à toa que ganhou o apelido de ervacidreira-brasileira, ou falsa-melissa. Ajuda saber que é a maior (em altura e tamanho de folhas – de 3 a 6 cm de comprimento). A disposição das folhas e flores chama a atenção: uma de cada lado da haste. Identificadas pela forma, é só aproveitar o que cada uma oferece de melhor.

CIDREIRA OFICIAL

“A erva-cidreira, ou melissa, é a mais pesquisada e a mais calmante de todas”, explica Paulo Chanel de Freitas, professor de farmacognosia (ciência que estuda as plantas medicinais) da Universidade de São Paulo. O médico carioca Alex Botsaris, especializado em acupuntura e plantas medicinais, concorda. “Vários estudos demonstram como a melissa age sobre o sistema nervoso. É tranquilizante, antidepressiva. Além de ser tradicionalmente empregada contra insônia, dores de cabeça e distúrbios gastrointestinais”, lembra.

CAPIM-LIMÃO

Mais aromático e saboroso é o capim-limão. Por isso, ele se comporta melhor na culinária. “Os tailandeses o utilizam como um condimento em sopas e molhos”, conta a consultora gastronômica Neide Rigo, de São Paulo. O desempenho na saúde não faz feio. No Programa Farmácias Vivas, da Universidade Federal do Ceará, é empregado para o alívio de cólicas e para a ansiedade. Embora a ação calmante não tenha sido demonstrada em pesquisas, Botsaris enfatiza o efeito antimicrobiano. “Banhos de capim limão, fungicida, são ótimos para combater as micoses”, recomenda. “E o chá das folhas frescas é expectorante. Bom para eliminar secreções das vias aéreas.”

LÍPIA

Presente em quase todo o Brasil, a lípia tem uma ampla aplicação popular, muitas vezes por ser confundida com a melissa. A literatura científica demonstrou que a infusão de suas folhas é indicada no tratamento de desordens gastrointestinais, doenças respiratórias, dores de estômago e garganta e intoxicações em geral. Há diversos tipos dessa planta medicinal. “A lípia que contém citral como item majoritário entre os princípios ativos possui o aroma característico da erva-cidreira e é indicada para os mesmos fins”, explica o pesquisador científico Carlos Colombo, do Instituto Agronômico de Campinas. Mas um tipo rico em linalol despertou o interesse da indústria de perfume. “Esse é o mesmo componente extraído do pau-rosa para fazer o perfume Chanel No 5”, informa Colombo. “A planta poderá ser uma alternativa ao uso do pau-rosa, que está em extinção.” Por enquanto, ela consta da lista das dez espécies com maior potencial de utilização pela empresa Natura. E agora, com qual cidreira você vai fazer seu chá?

A tintura de ervas medicinais tem a mesma potência que a infusão. Um sachê de chá equivale a uma colherinha das de chá da tintura. “A vantagem dessa última é a praticidade. É abrir e tomar”, esclarece o médico Alex Botsaris. Para preparar a sua, misture 10 g de erva desidratada e moída (melissa, por exemplo) com 100 ml de álcool de cereais diluído a 96% (à venda em farmácias de manipulação). Coloque em frasco escuro. Agite uma vez por dia durante dez dias. Coe em filtro de pano e armazene em local protegido da luz. A tintura já pode ser utilizada em compressas ou para potencializar o efeito do chá.

VANTAGEM NA COZINHA

• Diferentemente das folhas de capimsanto, que são ótimas para sopas, mas devem ser retiradas do prato antes de servir, as de melissa são delicadas e macias. Pique-as em saladas de frutas, no recheio de cream-cheese ou utilize inteiras na salada de folhas. • Se a idéia é um suco, experimente capim-cidreira, manga e laranja ou cidreira, melancia e laranja. Aprovado pela equipe de BONS FLUIDOS. • A charista Carla Saueressig, dona da Loja do Chá, em São Paulo, dá a dica: misture erva-cidreira, cascas de limão, cascas de laranja e maçã seca em partes iguais. Faça um chá e coloque cubinhos de gelo.

 LIVRO “Fórmulas Mágicas – Como Utilizar e Combinar Plantas para o Tratamento de Doenças Simples”, Alex Botsaris (ed. Nova Era). “O Poder das Ervas”, André Rezende, (ed. Ibrasa)