Crise

  

Pessoas em crise, o mundo está em crise, acredito que tudo isso tem finalidade e um fim, para os momentos difíceis busco auxílio e conforto com o capítulo 11: “O sentido espiritual da crise” do livro “O Caminho da Autotransformação”, de Eva Pierrakos (Ed.Cultrix). Este livro faz parte da sequência de livros lidos no método Pathwork, abaixo alguns trechos:

“Qual é o sentido verdadeiro, espiritual da crise? A crise é uma tentativa da natureza de efetuar mudanças através das leis cósmicas do universo. Se o ego, a parte da consciência que dirige a vontade, obstruir a mudança, a crise ocorrerá para possibilitar uma mudança estrutural.

… toda crise é um reajuste… procura romper velhas estruturas construídas sobre conclusões falsas … A crise sacode hábitos arraigados, possibilitando um novo crescimento. Ela dilacera e rompe, o que é momentaneamente doloroso, mas, sem ela, a transformação é impensável.

Quanto mais dolorosa for a crise, mais a parte da consciência que dirige a vontade tentará impedir a mudança. A crise é necessária porque a negatividade humana é uma massa estagnada que precisa ser sacudida para se soltar. A crise é uma característica essencial da vida; onde há vida, há mudança infindável. Somente os que ainda vivem no medo e na negatividade, que resistem à mudança, é que concebem como algo a que se deve resistir. Ao resistir à mudança, eles resistem à vida em si, e assim o sofrimento se fecha sobre eles e os comprime ainda mais. Isso acontece no desenvolvimento global das pessoas e também em aspectos específicos.

Os seres humanos conseguem ser livres em áreas que não resistem à mudança. Nessas áreas, eles se harmonizam com o movimento universal. (…)  Todavia, esses mesmos indivíduos reagem de maneira inteiramente diferente nas áreas em que tem bloqueios. Eles se ligam temerosamente a condições imutáveis dentro e fora deles mesmos. Onde não resistem, sua vida está relativamente livre de crises; nas áreas em que resistem à mudança, as crises são inveitáveis.

A razão de ser do desenvolvimento humano é libertar os potenciais inerentes, que na verdade são infinitos. Entretanto, onde há fixação de atitudes negativas, é impossível concretizar esses potenciais. Somente a crise pode demolir uma estrutura construída sob premissas que contradizem as leis da verdade, da felicidade e do amor cósmicos. A crise sacode o estado de paralisia, estado esse que é sempre negativo.

No caminho para a realização emocional e espiritual, você precisa trabalhar intensamente para libertar-se de suas negatividades. Quais são elas? As concepções errôneas; as emoções destrutivas e as atitudes e padrões de comportamento delas decorrentes; os pretextos e as justificativas. (…)

Diferentemente da verdade, do amor e da beleza, que são atributos divinos infinitos, a distorção e a negatividade nunca são infinitas. Elas terminam quando a pressão explode. Esta é uma crise dolorosa, e as pessoas em geral resistem-lhe com todas as suas forças. (…)

Se a consciência assim o decidir, a crise pode significar o término da autoperpetuação negativa que se avoluma continuamente. Quando a explosão acontece, as opções de reconhecer o sentido ou de continuar fugindo tornam-se mais claramente definidas. (…) O indivíduo, consequentemente, deve ver que todas explosões, colapsos e crises significam a derrubada de velhas estruturas para possibilitar a reconstrução de uma estrutura nova e melhor.

A crise pode ser evitada contemplando a verdade interior quando os primeiros sinais de distúrbio e de negatividade se manifestam na superfície. Porém, requer-se muita honestidade para enfrentar as convicções pessoais firmemente acalentadas. Esse confronto pode interromper a autoperpetuação negativa, a força motriz que compõe a matéria psíquica errônea e destrutiva até que encontre um ponto de ruptura. Ela evita os muitos círculos viciosos presentes na psique humana e nos relacionamentos que são dolorosos e problemáticos.

(…) Quanto maior a necessidade de mudança e quanto maior a resistência a ela, mais dolorosa é a crise. Quanto mais abertura e disponibilidade houver para a mudança, em qualquer nível, e quanto menos essa for necessária em qualquer momento do caminho evolutivo do indivíduo, menos rígida e sofrida será a crise. (…)

Quando o processo de crise é aceito e não é mais obstruído, quando a pessoa se põe a andar junto com ele em vez de lutar contra ele, o alívio chega de modo relativamente rápido. (…) a auto-revelação traz paz; a compreensão proporciona nova energia e vitalidade. O processo de cura está em andamento mesmo quando o abscesso estoura. (…)

Toda experiência negativa, todo sofrimento, é resultado de uma idéia errada. Um aspecto importante deste trabalho é a articulação dessas idéias. E, entretanto, quantas vezes vocês ainda deixam de perceber isso por não manterem em mente esses fatos incontestáveis quando se confrontam com uma situação de infelilcidade?

Independente de como você vivencie as crises, sempre há nelas uma mensagem para a sua própria vida. Cabe a você não projetar suas experiências para fora, nos outros, o que é sempre a tentação mais perigosa. Ou ainda, projetá-las em você mesmo de um modo destrutivo, o que o leva a desviar-se da meta do mesmo modo que sucede quando projeta suas experiências nos outros. (…)

Se você aprender a separar a menor sombra da sua vida diária e a explorar num sentido mais profundo, você controlará as pequenas crises de um modo que se tornará impossível a dilatação do abscesso.”